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Tradutora e/ou intérprete?

Posted by Érika on Feb 25, 2013 in Esmiuçando

Tsc, tsc, tsc. Tanto tempo sem atualizar, não é?
Posso dizer que andei sem tempo? Até posso, mas essa não é toda a verdade. Não foi este o único fator. A questão é que quando tive tempo, não tive ideia. O tempo urge e ninguém quer ler mais do mesmo. E, quando tinha ideias, era sempre (eu disse sempre) no meio do caos. Aí passava a vontade, ou a intenção. Minha inspiração é uma entidade muito temperamental. Se ela diz “escreve aí” e ouso não obedecê-la, a danada desaparece.

Que ela não me ouça, mas (aparentemente) consegui ludibriá-la! Resolvi gravar mensagens de voz no celular (usando Voice Memo do iPhone)! Esboço rapidamente o tema. Mais tarde, sento aqui e tcharam! Sai um post! Parece que agora nos veremos mais frequentemente. :)

Bom, o que me chamou atenção essa semana, foi uma comparação: “Um intérprete pode ser tradutor, mas este dificilmente será um intérprete”. E eu me perguntei: será?

    

http://bit.ly/Yvmjcj

http://cdn.sheknows.com/articles/2012/03/woman-on-computer.jpg

Parece até natural, não é? A interpretação é ágil, o jogo de cintura é quase frenético, o resultado é imediato. Há o olhar de todos, o domínio do psicológico, o pavor do “branco”, muitos acreditam que fariam melhor. É senso-comum que se faz necessário ter treinamento para tal função, seja este formal ou não (embora eu, particularmente, considere mais inteligente ter uma educação formal antes de se jogar no mercado. Afinal, por que ter de reinventar a roda se podemos aprender com quem já traçou esse caminho?). Obviamente, é de se esperar que se o intérprete consegue fazer “tudo isso” com restrição temporal, se tiver alguns dias de prazo, consegue traduzir com o pé nas costas. Confere?

Não. :) Não necessariamente. Embora ambas as profissões façam parte de um mesmo setor e sejam, muitas vezes, colocadas em um saco só, cada uma vai ter sua especificidade. Estou dizendo que quem exerce uma não pode exercer a outra? Também não. Até porque, né?, estaria contradizendo a mim mesma, visto que exerço ambas as funções. O que quero deixar claro, é que os focos precisam ser ajustados para o processo utilizado.

Assim como um intérprete não pode se dar ao luxo de querer sempre a palavra perfeita para a ocasião — e aqui tem uma frase que aprendi com minha amiga e mestre Marcelle Castro que me foi libertadora: “A interpretação me ensinou a lidar com a frustração. Se não achei a melhor opção, paciência. Não tenho tempo de me lamentar porque a informação não vai parar de vir e preciso me concentrar nela” — o tradutor precisa quebrar a cabeça para que uma rima não se perca, por exemplo, e, dependendo do que seja, pode custar boa parte do prazo (que parece uma eternidade quando comparado à interpretação, mas que se torna cada vez mais reduzido).

Resumindo a grosso modo, podemos dizer que o foco do intérprete é entregar a informação. Pode ser que ela venha com algum prejuízo de regência ou de concordância. O tradutor tem mais trabalho com a forma, pois a palavra escrita grita. Está ali, eternamente. É uma legenda que vai passar na TV e você fica pensando “putz, podia ter feito diferente”.

Portanto, não acho que uma dificulte a outra, necessariamente. Mas é preciso conhecer bem ambas, reconhecendo as características de cada uma e mudando a chavezinha da cachola.

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