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Legado do Obama no Brasil

Posted by Érika on Mar 22, 2011 in Esmiuçando

Hoje é terça-feira, o Obama seguiu com sua turnê visita aos países sulamericanos ontem e o “oba-Obama” ficou mais ameno. A visita, exageros à parte, tem sua relevância e deve marcar nossa história de uma forma que só o o tempo dirá. Isso não significa, porém, que não possamos – desde já – identificar melhorias e traçar metas.

Acompanhei o simpático e envolvente discurso do “Mr. President” pela Globo, observando atentamente o trabalho da Ana Vianna. A escolha de palavras, a entonação, a totalidade do conteúdo entregue… Quem assistiu sabe que foi bastante agradável, num ritmo gostoso de se ouvir. Ficou bem clara sua alta qualificação para o serviço. Assisti também, posteriormente, a interpretação de Ulisses Wehby – igualmente bem feita e boa de se acompanhar. Ambos os colegas são profissionais competentíssimos, bastante conhecidos e reconhecidos no mercado, com anos de experiência. Isso ninguém discute. É indiscutível, também, a qualidade do material recebido – que implica diretamente no trabalho final.

Já falei aqui que muito dos nossos resultados depende do material que recebemos. É como na maquiagem.  Se você tem uma mulher bonita, basta usar as técnicas nos locais adequados e você deixará a moça ainda mais bela (é lógico que é preciso investir em material de qualidade. Isso, aliás, foi discutido aqui). Agora, se a mulher em questão é desfavorecida fisicamente, não há técnica, pincéis nem argamassa que a transforme numa Gisele Bündchen. Certamente, ela ficará melhor do que antes, mas ainda pode assustar muita gente. A questão é: seu cliente vai lembrar deste “detalhe”? Tenha isso sempre em mente antes de aceitar aquele texto tribufu.

Na verdade, o que me saltou aos olhos não foi apenas a elegância de Michelle e a boa pinta de seu marido. O destaque que deve ser dado aqui é: como ele é bom orador! Frases completas, pausas inseridas no momento certo, dicção clara… O sonho de qualquer intérprete! Ah, como sofremos quando o palestrante está nervoso e sai desembalado proferindo palavras como uma metralhadora ensandecida, possuída pelo Coelho de Alice. Ou quando começa um raciocínio que se enche de parênteses abertos que nunca serão fechados porque o fio da meada ficou perdido em meio ao primeiro parêntese. Ou seria em meio ao segundo? Brasileiro é mestre nisso! Ou, ainda, quando o momento é para perguntas e o falante a ser interpretado decide fazer um comentário (outra especialidade tupiniquim).

Se você realmente deseja que sua mensagem seja ouvida e compreendida – o que seria o objetivo precípuo de quem faz um discurso, ministra um curso etc. – seja simples, objetivo, direto. Não encha seu discurso com coisas que possam ser vistas e absorvidas em um slide (números, por exemplo. Por que dizer que quatro milhões, novecentas e setenta e duas mil, duzentas e uma pessoas foram picadas pelo mosquito X enquanto que quinhentas e quarenta e quatro mil, oitocentas e vinte três pessoas foram infectadas pelo mosquito Y se isso pode ser mais rapidamente visualizado em uma tela? Se não tiver projetor disponível, que tal arredondar tais números?). De que adianta seu trabalho ser suuuuper completo com todos os dados, se você tem apenas 10 minutos para apresentá-lo? Foque no primordial, no diferencial… quem quiser mais informações, poderá receber um relatório mais completo da sua pesquisa, por exemplo.

Temos a tendência de achar que nosso trabalho/relatório/discurso é 100% relevante a todos – e daí surge a dificuldade de enxergar o que pode ser retirado para torná-lo mais leve e proveitoso para quem nos assiste. Podemos começar a exercitar isso em nossas futuras apresentações. Em vez de tentar o socar o máximo de informação possível naquele curto espaço de tempo, podemos pensar: como Obama faria? Seu público agradece.

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Tempos modernos

Posted by Érika on Sep 15, 2010 in Vi por aí...

Estou eu aqui, em Itacuruçá, trabalhando em um evento sobre malária. Apesar do cansaço e da beleza do lugar, resolvi escrever um post para o site – tenho que aproveitar a vontade, senão esqueço, ha! Mas, acreditem se quiser, não vim falar sobre a conferência e suas peculiaridades. Bom, pelo menos não ainda. Vim compartilhar um aplicativo para Mac que encontrei, ha! Como estou metida, hein? Nem bem comprei o meu primeiro computador da Apple e já resolvo compartilhar um pedacinho da “Maçã”. :)

Para quem não sabe, quando trabalhamos nesta área, estabelecemos turnos de 10, 20, 30 ou mais minutos, conforme decisão da dupla. E para isso, usávamos o bom e velho cronômetro, papel e caneta, registrando de quem seria o turno seguinte. Pelo menos era assim que eu estava fazendo. Eis que, de repente, percebo que minha amiga e parceira de cabine neste evento, Marcelle Castro, não fazia o mesmo. Estranhei. Um pouco depois reparei que ela usava um cronômetro pequenino na tela do seu netbook. Adorei. Invejei. E pensei: não há nada que o Windows faça que o Mac não faça melhor (essa frase nem é minha, mas não lembro o autor para poder dar os devidos créditos. Não disse que estava muito metida?).

Pesquisei no Google e achei um aplicativo gratuito, bem pequeno, discreto e eficiente. Thyme é o nome do bichinho. Uma graça e está descrito aqui, mas me chamou a atenção o fato dele ser gratuito e rodar na barra de tarefas.

Olha como ele é bonitinho:

Minha vida ficou muito mais simples. Fácil de lidar, bem completo e ainda registra os ciclos de trabalho, com a data e a hora, auxiliando e um possível controle da produtividade em um possível trabalho de tradução escrita – que ainda vou testar e ver se funciona. Quer experimentar? O site original, em inglês, você encontra aqui.

Acabou o papelzinho, fazer continhas dos minutos e a falta de praticidade na contagem do tempo. #win \o/

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Trabalho na terrinha

Posted by Érika on Aug 10, 2010 in Vi por aí...

Taí uma coisa que não consigo sempre: trabalhar na minha terra. Adoro juntar a fome com a vontade de comer. É trabalho, mas, ao mesmo tempo, é rever a família, relembrar minhas raízes, sentir sabores peculiares, ganhar colinho de mamãe… Ou seja, é muito mais prazer do que trabalho e ainda recebo por isso :) . E neste mês de julho deu para conciliar tudo.

Fui a Belém a passeio. Passagens compradas, programação feita (ué, ficar de bobeira no sofá da mãe também precisa ser programado, ora essa) e, quando menos espero, surge um evento, exatamente no período em que estaria por lá! É bom? Não. É ótimo! Mas acho que o melhor mesmo foi o que pude ver por lá.

Achei que ia chegar, fazer o meu trabalho, conhecer alguns colegas e me inteirar um pouco mais sobre a interpretação no Pará (acho que já disse aqui que só descobri que tinha um certo mercado de tradução e interpretação local quando vim para o Rio de Janeiro… Sim, sim, ignorância minha. *suspiro*). E para minha surpresa, foi muito mais do que isso.

O evento era o Congresso Mundial da Idea 2010, nos moldes do Fórum Social Mundial, de tamanho semelhante também (um pouco menor, mas ainda assim, bastante grande. O tema do evento, “Viva a diversidade viva”, era intensamente compartilhado.  A interação entre os mais diversos povos (índios, europeus, latino-americanos…) ocorria em palestras, oficinas, apresentações teatrais e nos SIGs (Special Interest Groups – grupos de interesse específico, que tinham um tema principal para nortear suas discussões). Fui alocada em um desses SIGs. E o tema do meu SIG era… tradução! Quatro dias interpretando sobre tradução, interculturalidade, avaliando questões e desafios do processo. Não bastasse tudo isso, ainda fui convidada a expor os desafios encontrados no meu dia a dia (o público ali presente era composto em grande parte por professores, atores, escritores etc. que usam a tradução como ferramenta em seus trabalhos – os mais variados – de inclusão social. Não era um grupo de tradutores falando sobre o tema). Ali eu me dei conta de como gosto de falar sobre a profissão que abracei (é por isso que eu tenho um blog, né? Pois é, parece óbvio, mas às vezes sou meio lerda, relevem).

É claro que nem tudo foi assim tão belo. Houve algumas dificuldades técnicas – até mesmo por conta da dimensão e da dinâmica do evento – mas os pontos positivos foram tão maiores, que não convém sequer lembrar.

Só sei que voltei deste evento motivada, feliz por ver que Belém está amplianda suas possibilidades, investindo no setor de eventos, o que vai representar melhorias na cidade e maiores possibilidades de trabalho por lá. Queria ter tido tempo e a ideia de ter registrado o evento por fotos, mas contentar-me-ei (amo mesóclises!) com o aprendizado. :)

Isso porque este seria um post curtinho… Sei…

Assim que tiver uma fotinho e a autorização de quem está nela, atualizo aqui.

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A Copa e os intérpretes

Posted by Érika on Jun 23, 2010 in Vi por aí...

A Copa do Mundo já vei se encaminhando. Terminando a primeira fase, depois de muita “zebra”, as seleções já começam a se destacar na busca pelo título. Enquanto Alemanha, Argentina, Brasil (entre outras) marcam os adversários, tentando chutar para escanteio os riscos de não colocar a mão no caneco, as equipes mais fracas – ou mais azaradas – vão ficando pelo caminho (Adieu,  “Les Bleus”!).

‘Tá, Érika, mas ninguém veio aqui atrás de informações esportivas’. Apesar de agradecer a presença, tenho que concordar. A questão é que, apesar da euforia da maioria dos brasileiros em relação a este esporte que movimenta massas (eu mesma sou fã), tem uma camada da sociedade que está bastante inquieta, torcendo pelo fim do torneio: os intérpretes.

É fato: os eventos sumiram, os clientes não nos procuram, nossos telefones não tocam. Quer dizer, tocam sim:

-Oi, tudo bom?

-Tudo e você?

-É, tudo indo. Tem pintado evento?

É assim… O marasmo é tanto que a gente começa a achar que está na geladeira e sai ligando para os colegas a fim de descobrir se está mesmo.

A boa notícia é que está acabando (11/07). Outra boa notícia é que a próxima só daqui a 4 anos e, para fechar com chave de ouro, será no Brasil e esperamos ter muito trabalho girando em torno dela. ;)

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