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Ele chegou!

Posted by Érika on Mar 12, 2013 in Novidades

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Consecutiva é um tipo de interpretação muito difícil, ao contrário do que se possa imaginar, pois “basta repetir o que foi dito”. Mas a coisa não é bem assim. Quando se tem treinamento adequado, a cabine acaba virando nosso bunker: ficamos protegidos, cercados por nossos blocos, post-its, computadores com glossários, dicionários e todo o universo da internet a nosso dispor. Podemos até tirar nossos sapatos — se quisermos, pois, na verdade, ninguém faz isso 😀

Trabalhar com consecutiva nos tira tudo isso. Ficamos perto do palestrante, quase sempre sem mesa, ou púlpito, com nosso bloco e caneta em mãos, encarando o público, quase sempre enfadado, afinal tem que ouvir duas vezes o mesmo discurso, entendendo ou não ambos os idiomas. Ah, sim, isso sem falar na máxima atenção prestada e no total de memória empregada. Não. Não posso dizer que é uma sensação delicinha do tipo “opa, mal posso esperar”.

Apesar de já ter ouvido falar na “consecutânea”¹, e até mesmo conhecer gente que já trabalhou com ela, arrisco dizer que a forma mais segura de trabalhar ainda é tomando as boas e velhas notas.

Anotar adequadamente sem desviar a atenção para o que se escreve em vez do que se ouve é questão de treino: um treino que preciso fazer.

Fui lá, decidida, comprei o “Note-taking for Consecutive Interpreting”, de Andrew Gillies. Demorou um cadinho para chegar, mas hoje está em minhas mãos. Só falta ler e pôr em prática o danado. :)

Depois digo o que achei 😉

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Legado do Obama no Brasil

Posted by Érika on Mar 22, 2011 in Esmiuçando

Hoje é terça-feira, o Obama seguiu com sua turnê visita aos países sulamericanos ontem e o “oba-Obama” ficou mais ameno. A visita, exageros à parte, tem sua relevância e deve marcar nossa história de uma forma que só o o tempo dirá. Isso não significa, porém, que não possamos – desde já – identificar melhorias e traçar metas.

Acompanhei o simpático e envolvente discurso do “Mr. President” pela Globo, observando atentamente o trabalho da Ana Vianna. A escolha de palavras, a entonação, a totalidade do conteúdo entregue… Quem assistiu sabe que foi bastante agradável, num ritmo gostoso de se ouvir. Ficou bem clara sua alta qualificação para o serviço. Assisti também, posteriormente, a interpretação de Ulisses Wehby – igualmente bem feita e boa de se acompanhar. Ambos os colegas são profissionais competentíssimos, bastante conhecidos e reconhecidos no mercado, com anos de experiência. Isso ninguém discute. É indiscutível, também, a qualidade do material recebido – que implica diretamente no trabalho final.

Já falei aqui que muito dos nossos resultados depende do material que recebemos. É como na maquiagem.  Se você tem uma mulher bonita, basta usar as técnicas nos locais adequados e você deixará a moça ainda mais bela (é lógico que é preciso investir em material de qualidade. Isso, aliás, foi discutido aqui). Agora, se a mulher em questão é desfavorecida fisicamente, não há técnica, pincéis nem argamassa que a transforme numa Gisele Bündchen. Certamente, ela ficará melhor do que antes, mas ainda pode assustar muita gente. A questão é: seu cliente vai lembrar deste “detalhe”? Tenha isso sempre em mente antes de aceitar aquele texto tribufu.

Na verdade, o que me saltou aos olhos não foi apenas a elegância de Michelle e a boa pinta de seu marido. O destaque que deve ser dado aqui é: como ele é bom orador! Frases completas, pausas inseridas no momento certo, dicção clara… O sonho de qualquer intérprete! Ah, como sofremos quando o palestrante está nervoso e sai desembalado proferindo palavras como uma metralhadora ensandecida, possuída pelo Coelho de Alice. Ou quando começa um raciocínio que se enche de parênteses abertos que nunca serão fechados porque o fio da meada ficou perdido em meio ao primeiro parêntese. Ou seria em meio ao segundo? Brasileiro é mestre nisso! Ou, ainda, quando o momento é para perguntas e o falante a ser interpretado decide fazer um comentário (outra especialidade tupiniquim).

Se você realmente deseja que sua mensagem seja ouvida e compreendida – o que seria o objetivo precípuo de quem faz um discurso, ministra um curso etc. – seja simples, objetivo, direto. Não encha seu discurso com coisas que possam ser vistas e absorvidas em um slide (números, por exemplo. Por que dizer que quatro milhões, novecentas e setenta e duas mil, duzentas e uma pessoas foram picadas pelo mosquito X enquanto que quinhentas e quarenta e quatro mil, oitocentas e vinte três pessoas foram infectadas pelo mosquito Y se isso pode ser mais rapidamente visualizado em uma tela? Se não tiver projetor disponível, que tal arredondar tais números?). De que adianta seu trabalho ser suuuuper completo com todos os dados, se você tem apenas 10 minutos para apresentá-lo? Foque no primordial, no diferencial… quem quiser mais informações, poderá receber um relatório mais completo da sua pesquisa, por exemplo.

Temos a tendência de achar que nosso trabalho/relatório/discurso é 100% relevante a todos – e daí surge a dificuldade de enxergar o que pode ser retirado para torná-lo mais leve e proveitoso para quem nos assiste. Podemos começar a exercitar isso em nossas futuras apresentações. Em vez de tentar o socar o máximo de informação possível naquele curto espaço de tempo, podemos pensar: como Obama faria? Seu público agradece.

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Tradcast

Posted by Érika on Jun 17, 2010 in Novidades

É com prazer que venho anunciar o lançamento do meu mais novo filho: o Tradcast – o primeiro podcast brasileiro de tradução.

A ideia original é da Cláudia Mello, que acabou convidando a mim e ao Marcelo Neves para entrar nessa barca. Topei na hora. Isso foi em 2009. O tempo passou, a gente tentou, gravou até um “episódio inicial”. Mas o projeto tão querido não engrenava. Foi para a gaveta. Por quê? Dúvidas, incertezas, ansiedade… Sabíamos(emos) que o nosso público seria(é) altamente crítico, exigente e que, apesar da necessidade existente de se falar sobre tradução, não podíamos “chover no molhado”. Trazendo para o popular: ninguém iria bater palmas para maluco dançar.

Nesse processo, fomos apurando o perfeccionismo, pensando, pensando, pensando… e não agimos.

Agora, porém, é diferente. Já lançamos, quebramos o gelo. Esse post, aliás, é para anunciar o segundo episódio \o/. Espero que nos prestigiem. Ouçam, comentem, enviem sugestões. O começo é complicado, estamos aprendendo. Eu estou bem empolgada. Tomara que vocês também fiquem.

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A qualidade depende do material entregue

Posted by Érika on Jun 14, 2010 in A gente aprende

Ouvi isso de um colega, intérprete, que na véspera havia me escalado para trabalhar em um grande evento médico, ocorrido naquele fim de semana. Eu estava preocupada, pedindo mais informações, pois seriam diversas salas tratando sobre diferentes temas relacionados à ortopedia e – obviamente – queria me preparar da melhor maneira possível. Tenho que admitir que o colega conseguiu completar sua missão: fiquei mais tranquila.

Nunca tinha pensado dessa maneira. Talvez não de maneira tão objetiva. Pode parecer desculpa esfarrapada – para quem não entende do riscado – mas o cliente é até mais responsável do que eu pelo sucesso da tradução/interpretação. Primeiro, na escolha do profissional. Nenhum tradutor bate à porta dos clientes perguntando:

-E aí, vai uma traduçãozinha hoje? Tá fresquinha, acabei de fazer!

O cliente nos procura. E é nesse momento que ele exerce sua influência, dando um grande passo para a qualidade final – ou não – do trabalho: se optar pelo orçamento “mais baratinho”… bom, aí não resta dúvida sobre o futuro desse texto. Qualidade tem seu preço. É claro que não é todo mundo que pode comprar um carro de luxo, mas você também não precisa adquirir um carro popular, caindo aos pedaços, cheio de furos na lataria.

Porém, é importante deixar claro que não há milagres. Mesmo o mais caro carro de luxo vai ter seu desempenho comprometido em uma estrada esburacada. Obviamente, a viagem será mais confortável do que se for feita por aquele carrinho caindo aos pedaços, com menos recursos. Isso sem contar outra variável importantíssima: tempo. Se você tem que correr para entregar o serviço, certamente terá que sacrificar mais do que uma noite de sono (mas não é essa questão central hoje).

No campo da interpretação, isso é bem claro. O cliente lhe contrata, diz a área do evento (“Ah, é sobre administração…”) e só. Às vezes não diz nem o nome da conferência. No meio tempo entre a contratação e o evento, você implora, desesperado por mais material, maiores informações. Chego até a visualizar o cliente revirando os olhos, me achando mala. Depois de muita perturbação, você consegue um arquivo em .ppt – que, às vezes, nem é daquele evento! O que será que eles esperam? Que além de ouvir em uma língua e falar em outra, ao mesmo tempo, nós ainda tenhamos bola de cristal? Desculpa, querido. Já encomendei a minha mas ainda não chegou. Ou será que esperam que saibamos tudo sobre todos os temas, nos diversos idiomas?

Portanto, prezados clientes, tenham sempre em mente que fazemos nosso trabalho da melhor maneira possível. O resultado, contudo, dependerá diretamente da qualidade (e quantidade, para a interpretação) do material entregue.

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