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Ele chegou!

Posted by Érika on Mar 12, 2013 in Novidades

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Consecutiva é um tipo de interpretação muito difícil, ao contrário do que se possa imaginar, pois “basta repetir o que foi dito”. Mas a coisa não é bem assim. Quando se tem treinamento adequado, a cabine acaba virando nosso bunker: ficamos protegidos, cercados por nossos blocos, post-its, computadores com glossários, dicionários e todo o universo da internet a nosso dispor. Podemos até tirar nossos sapatos — se quisermos, pois, na verdade, ninguém faz isso 😀

Trabalhar com consecutiva nos tira tudo isso. Ficamos perto do palestrante, quase sempre sem mesa, ou púlpito, com nosso bloco e caneta em mãos, encarando o público, quase sempre enfadado, afinal tem que ouvir duas vezes o mesmo discurso, entendendo ou não ambos os idiomas. Ah, sim, isso sem falar na máxima atenção prestada e no total de memória empregada. Não. Não posso dizer que é uma sensação delicinha do tipo “opa, mal posso esperar”.

Apesar de já ter ouvido falar na “consecutânea”¹, e até mesmo conhecer gente que já trabalhou com ela, arrisco dizer que a forma mais segura de trabalhar ainda é tomando as boas e velhas notas.

Anotar adequadamente sem desviar a atenção para o que se escreve em vez do que se ouve é questão de treino: um treino que preciso fazer.

Fui lá, decidida, comprei o “Note-taking for Consecutive Interpreting”, de Andrew Gillies. Demorou um cadinho para chegar, mas hoje está em minhas mãos. Só falta ler e pôr em prática o danado. :)

Depois digo o que achei 😉

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A qualidade depende do material entregue

Posted by Érika on Jun 14, 2010 in A gente aprende

Ouvi isso de um colega, intérprete, que na véspera havia me escalado para trabalhar em um grande evento médico, ocorrido naquele fim de semana. Eu estava preocupada, pedindo mais informações, pois seriam diversas salas tratando sobre diferentes temas relacionados à ortopedia e – obviamente – queria me preparar da melhor maneira possível. Tenho que admitir que o colega conseguiu completar sua missão: fiquei mais tranquila.

Nunca tinha pensado dessa maneira. Talvez não de maneira tão objetiva. Pode parecer desculpa esfarrapada – para quem não entende do riscado – mas o cliente é até mais responsável do que eu pelo sucesso da tradução/interpretação. Primeiro, na escolha do profissional. Nenhum tradutor bate à porta dos clientes perguntando:

-E aí, vai uma traduçãozinha hoje? Tá fresquinha, acabei de fazer!

O cliente nos procura. E é nesse momento que ele exerce sua influência, dando um grande passo para a qualidade final – ou não – do trabalho: se optar pelo orçamento “mais baratinho”… bom, aí não resta dúvida sobre o futuro desse texto. Qualidade tem seu preço. É claro que não é todo mundo que pode comprar um carro de luxo, mas você também não precisa adquirir um carro popular, caindo aos pedaços, cheio de furos na lataria.

Porém, é importante deixar claro que não há milagres. Mesmo o mais caro carro de luxo vai ter seu desempenho comprometido em uma estrada esburacada. Obviamente, a viagem será mais confortável do que se for feita por aquele carrinho caindo aos pedaços, com menos recursos. Isso sem contar outra variável importantíssima: tempo. Se você tem que correr para entregar o serviço, certamente terá que sacrificar mais do que uma noite de sono (mas não é essa questão central hoje).

No campo da interpretação, isso é bem claro. O cliente lhe contrata, diz a área do evento (“Ah, é sobre administração…”) e só. Às vezes não diz nem o nome da conferência. No meio tempo entre a contratação e o evento, você implora, desesperado por mais material, maiores informações. Chego até a visualizar o cliente revirando os olhos, me achando mala. Depois de muita perturbação, você consegue um arquivo em .ppt – que, às vezes, nem é daquele evento! O que será que eles esperam? Que além de ouvir em uma língua e falar em outra, ao mesmo tempo, nós ainda tenhamos bola de cristal? Desculpa, querido. Já encomendei a minha mas ainda não chegou. Ou será que esperam que saibamos tudo sobre todos os temas, nos diversos idiomas?

Portanto, prezados clientes, tenham sempre em mente que fazemos nosso trabalho da melhor maneira possível. O resultado, contudo, dependerá diretamente da qualidade (e quantidade, para a interpretação) do material entregue.

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Propriedade intelectual

Posted by Érika on Mar 16, 2010 in Isso me irrita

Desde que decidi me tornar tradutora, busquei na internet pessoas que tivessem a mesma profissão. Achava que em Belém não havia mercado nem profissionais na área –  ledo engano, já que a Região Norte tem uma demanda considerável pelo trabalho de tradução/interpretação (nada que se compare ao eixo Rio-São Paulo, mas muito superior ao que imaginava). Na verdade, tudo começou com a solidão e a saudade. Estava sozinha, numa cidade enorme, longe de parentes, amigos, colinho de mamãe (ah, esse é enorme… *suspiro*), buscando uma carreira nova, para a qual eu nem sabia se tinha talento. Apesar de empolgada, precisava ter um pezinho na minha antiga terra, para que não desmoronasse. Assim, decidi recriar o meu perfil no orkut. Na época, a maioria das pessoas achava essa ferramenta inútil (muitos realmente não sabem o que fazer com ela), e para mim, naquele momento, era apenas uma forma de me sentir “em casa”.

Um belo dia resolvi futucar e ver se havia algo sobre as novas profissões que queria. Achei a comunidade “Tradutores e intérpretes/BR”. Entrei, sentei e observei. Estava acontecendo uma confusão enorme. Tinha gente dizendo que sairia e nunca mais voltaria para aquele ambiente enquanto o outro insistisse em lhe irritar. Confesso que fui fuçar posts antigos (ah, a curiosidade…) para tentar entender os porquês. Não consegui e resolvi me “incluir fora” do barraco. Mas, uns meses depois voltei. Mais uma vez eu entrei, sentei e observei. Aí sim percebi que muitas pessoas se conheciam, pareciam amigos de infância. Brincavam e falavam de coisas sérias com uma agilidade tremenda. Lidavam bem com essa inclusão do pessoal no profissional. Pareciam muito experientes também.

Enxerida que sou, queria logo participar. Mas, como eu sempre digo, não podia chegar colocando logo os pés na mesinha de centro e abrindo a geladeira. Eu conhecia tão pouco sobre tudo no mundinho tradutório… Passei uns 2 meses só lendo e me inteirando das coisas. Bom, aí eu já sentia que podia dizer algo e tal. Logicamente que eu dava pitacos na galhofa (confesso que sou boa nisso). De galhofa em galhofa, acabei me enturmando, participando dos “orkontros”, eventos e projetos do pessoal.

Um deles foi a versão de tradutores do “Moleskine Project” (um projeto itinerante, em que cada um recebe um caderninho, um Moleskine, e em suas páginas faz um desenho). A ideia foi da Ieda Bispo, que se responsabilizou por coordenar o projeto, contando atualmente com a ajuda da Maria Clara Valinhas. O projeto conta com um blog (http://50302unplugged.wordpress.com/) em que registramos nossas “artes”.

Quis muito participar do projeto. Tive mil ideias, possibilidades e sentia um friozinho na barriga só de pensar na execução, de como ficaria, se os colegas gostariam, se ia ficar banal… Já tinha decidido o que faria. Mas aí vem a demora… O caderninho demora bastante para chegar. Dá uma ansiedade danada.

Um dia acordei com uma ideiazinha na cabeça. Ela surgiu logo após eu ter entregado um trabalho carne de pescoço ou bebê de Rosemary, como queiram. Havia trabalhado tanto num texto mal escrito, difícil e longo que pensei que jamais iria querer ter um mostrengo daquele nas mãos novamente (tolinha eu. Peguei vários desse tipo depois :)). Aí lembrei que tem paródias do “Pai nosso” para várias coisas, mas não sabia de nenhuma que nos livrasse dos pesadelos tradutórios (aliás, bem pensado. Vou catar no Google, talvez tenha uma oração para S. Jerônimo). Tive o insight e em menos de 10 minutos minha paródia estava pronta. Quando estive com o Moleskine em mãos, eu o levei para Belém – queria usar os lápis de cor do meu sobrinho. 😀 Aqui vocês podem conferir o resultado: http://50302unplugged.wordpress.com/2009/12/09/a-arte-da-erika/.

Para meu deleite, muitos dos queridos e respeitados colegas gostaram do meu texto. Alguns pediram para publicá-los em seus blogs e sites. Achei legal, seria divertido mostrar aos outros que passamos por problemas profissionais semelhantes (afinal, nós tradutores estamos sempre mergulhados em nossa vastidão interior…).

Não passou muito tempo e recebi a Oração por email, em uma lista. Pensei: “puxa, já chegou? Que rápido!”. Só que meu sorrisinho pueril por aquela pequena e significativa vitória se desfez  no instante seguinte: o texto veio sem cabeça. Não faltou parte alguma, veio inteirinho. Exceto, claro, de vir sem dizer quem teve a ideia. Atrevida que sou, tratei de mandar um outro email, demonstrando minha autoria, com o link inclusive. Recebi uma resposta meio difícil de engolir: “Me disseram que era seu, mas não tinha certeza…”. Nem para checar, né? Decidi deixar quieto, aceitar o pedido de desculpas.

Hoje, soube por uma amiga que a nossa Oração já tinha virado domínio público na internet. Oi? Como assim? Segui o mesmo procedimento: entrei no site, deixei comentário com link do blog do Moleskine, pedi que consertasse o “esquecimento”. Muitos amigos queridos fizeram o mesmo (aliás, aproveito o ensejo para agradecer de novo). Soube que o rapaz pediu desculpas e colocou o crédito devido, mas disse que recebeu sem autoria e repassou mesmo assim.

Agora, eu me pergunto: cidadãos conscientes repassam pseudo-fatos sem confirmação? A um tradutor profissional é dito que 2+2=5 e ele sequer tem a curiosidade e a responsabilidade de verificar se isso procede? É isso? Então devem ser as mesmas pessoas que não tomam Coca-cola com Menthos porque explode o estômago, que encaminham emails na esperaça de ganhar $100,00 da Aol, ou que têm medo de acordar numa banheira cheia de gelo, sem o rim direito.

Pode parecer pouco. Muitos vão até dizer que é bobagem, que o texto nem é isso tudo, que estou fazendo tempestade em copo d’água. Pode ser. Mas é meu. E de cara-de-pau ninguém gosta.

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